quarta-feira, 1 de junho de 2016

Por que os games antigos são tão difíceis?

Você que acompanha a evolução dos games desde a era dos arcades, 8 bits  e afins, deve em algum momento ter comparado a dificuldade dos games da década de 80 e 90, com a dos jogos da atualidade. Realmente a maioria dos games antigos são beeeem diifíceis. Eu por exemplo, quando tinha meu nintendinho  e comprei o cartucho Battletoads, não sabia a encrenca que estava me metendo. Ainda hoje tenho pesadelos com esse jogo. Foram longos meses até passar da maldita terceira fase e mais outros até terminar o game (Sim, eu zerei Battletoads, hahahaha!!!). Tive que decorar os padrões dos inimigos, a ordem em que eles apareciam, a sequência dos estágios e um monte de outras coisas, como precisão e reflexos. E isso era o que acontecia com a maioria dos gamers dessa época. Para zerar um jogo, era preciso dedicação, prática, paciência e muita decoreba. Era aí que estava toda a diversão daquele tempo. Mas então, por que esses jogos mais antigos eram tão azedos na dificuldade? Tem explicação para isso? A resposta é sim! Essa dificuldade exagerada na maioria dos jogos antigos, têm muitas explicações e não era um simples resultado da insanidade dos programadores, como você pensava. Então, aperte o Start e vamos conferir algumas das respostas mais óbvias para essa pergunta!



Antes de tudo é preciso entender a limitação dos jogos daquela época. Se você compreender como era a tecnologia de antes se comparada aos padrões de hoje, então já irá entender praticamente tudo. Nas décadas de 80 e 90, os arcades ou fliperamas, eram os video games mais poderosos, até mesmo do que os consoles, pois eles tinham placas maiores, melhores processadores, podiam produzir sons e gráficos com maior qualidade. Entretanto a grande maioria dos arcades, só tinham um game pra ser jogado, ao passo que os consoles, contavam com a vantagem de possuírem uma biblioteca extensa de jogos, porém com a qualidade inferior à de um arcade. Um cartucho de Famicom ou de Master System (ambos video games de 8 bits), tinham uma memória limitadíssima. Isso resultava em jogos bem curtos. "Jogos curtos? Como assim cara? Eu levei meses para zerar meu Sonic e vários anos pra terminar Ninja Gaiden!" Você deve tá se perguntando isso agora né? Calma, que vou explicar. Pois bem, eles eram curtos sim. A esmagadora maioria dos games de antigamente, contavam com poucas fases, umas cinco ou seis. Mais do que isso, implicava produzir cartuchos com memórias maiores e consequentemente, mais caros. Pegue Double Dragon de Nes por exemplo. O game só tinha quatro fases! A partir da terceira fase, elas  contavam com mais estágios, mas o jogo não deixa de ter quatro fases. Um jogador habilidoso, termina o Double Dragon em uns vinte minutos ou menos até! Mas é aqui que os programadores faziam uma coisa legal. Com a pouca memória dos cartuchos, eles reaproveitavam vários elementos do jogo como inimigos, power ups, backgrounds e repetiam em quase todo o game. Então era fácil você ver o mesmo tipo de inimigo da primeira fase, puxando briga com você na última ou ver a quinta fase de um jogo, ter um cenário parecido com a segunda do mesmo. Porém, com tudo isso e com o jogo já quase pronto, era preciso colocar alguma coisa no game, para "esconder" o real tempo do gameplay, senão os jogadores perderiam o interesse no jogo rapidinho. Então, alguém teve a brilhante ideia de aumentar a dificuldade desses jogos, para que o jogador só conseguisse terminar o game depois de muitas e muitas partidas. Chegamos então na primeira resposta! Tecnologia limitada resultava em games com um gameplay menor e para aumentar a vida útil e o interesse do jogador pelo game, os desenvolvedores aumentavam a dificuldade. Simples não é mesmo?

Double Dragon, contava com poucas fases e uma dificuldade altíssima
Essa não é a única explicação para a dificuldade dos games de antigamente. Vamos lá, se lembra do que eu falei antes sobre os arcades, que eles eram os video games mais tops e tal? Pois bem e eles eram mesmo. A maioria das pessoas que curtiam games no início e no decorrer dos anos oitenta, não tinham grana pra comprar um console. Video games eram caros até naquele época, tá pensando o quê? Como essa galera toda se virava então pra jogar? Quem não tivesse um amigo com um console e fosse convidado pra jogar, a alternativa mais simples era ir numa casa de fliperamas. Era febre no Japão e Estados Unidos nessa época, esses points com vários arcades, cada um com um game de estilo diferente. Bastava o mano chegar nessas casas e usar o troco do pão para conseguir umas fichas que funcionavam como os continues do game. Você colocava a primeira ficha pra jogar e quando dava Game Over, para você continuar a jogar tinha que colocar outra ficha. Acontece que pra ter um arcade era necessário desembolsar uma grana muitíssimo maior que um console e os proprietários precisavam de uma garantia de que o investimento daria retorno. A essa altura você já deve ter sacado qual foi a alternativa que as empresas utilizaram como garantia né? Os jogos seriam beeeeem difíceis de se terminar! E isso era uma característica dos arcades. A dificuldade insana dos games. A moçada se viciava nos joguinhos e pra ser o bonzão da turma, tinha que praticar e praticar, ou seja comprar muitas e muitas fichas! Terminar um game de arcade, na primeira jogada sem conhecer antes o game? Nunca meu filho, só se você fosse um fenômeno! O que víamos aqui era muitos jovens reunidos nas casas de arcades, com os bolsos cheios de fichas. Foi nessa época que começou a surgir nos consoles, versões mais simples dos games famosos de arcades, as chamadas conversões para consoles. Isso por que a galera além de curtir os jogos naquela birosquinha da esquina, curtia mesmo era jogar seu game favorito em casa, sem gastar seu dinheiro em fichas. Não deu outra, mais e mais lançamentos chegaram para os consoles caseiros, trazendo o sucesso dos arcades, claro com suas limitações, pois como eu disse antes, os consoles eram mais limitados. Porém, as empresas que produziam estes jogos, tentavam ao máximo deixar a versão caseira do game, o mais fiel possível ao original de arcade e claro, a nossa querida dificuldade estava sempre lá. Muitos games conhecidos foram convertidos para os consoles nesse período, como o já citado Double Dragon, Contra, o clássico game de tiro da Konami, o famoso Pac Man e o dificílimo Ghost'n Goblins. Então temos aqui mais uma explicação para os games difíceis da época. Muitos deles eram versões mais simples dos arcades, com o mesmo nível de dificuldade.

Casa de Arcades. Máquinas comedoras de fichas. E do seu dinheiro tbm
Ainda temos outros fatores que contribuíam para aumentar a dificuldade dos games antigos. Para não me alongar mais no assunto, vou citar um terceiro motivo que resultava na dificuldade elevada desses jogos: a ausência de elementos que auxiliavam os jogadores durante  seu gameplay. Esses elementos são os conhecidos passwords, checkpoints, save points e tutoriais, que só vieram se popularizar nas gerações 16 bits em diante. Alguns games de 8 bts até tinham algum ou outro desses elementos, mas é como eu já citei antes, qualquer alteração no formato do game, acarretaria em custos de produção ainda maiores. Lembro bem que os games de arcade e 8 bits, não tinham tutoriais, você tinha que aprender a jogar na raça e utilizando a sua intuição o que muitas das vezes resultava em perder uma vida no jogo. Você para se dar bem, tinha que decorar o padrão de movimento dos inimigos, das plataformas, onde ficava aquele item que você precisava para ganhar uma vida extra e o tempo que restava para se completar a fase. Alguns games como os da série Ninja Gaiden, te obrigava a ter reflexos de ninja, pois eram muito comuns que jogos de ação e plataforma dessa época, exigissem que o jogador fosse realmente impecável no gameplay para chegar até o final. E isso só era possível, depois de várias e várias tentativas e dedicação. Pouquíssimos jogos salvavam o progresso do jogador, quando me pego recordando quais eram os títulos que possibilitavam salvar o jogo, só me vêm a cabeça Final Fantasy do Nes e o Phantasy Star. Ambos os games, eram enormes pra época (claro, eram RPGs) e contavam com uma bateria dentro do cartucho que salvava o game. Mas também se games de RPG não tivessem um Save ou um password, ninguém teria paciência pra jogar a mesma história enorme do começo, toda vez! Já na era dos games de 16 bits esses elementos de auxílio ao jogador, já estavam presentes em muitos dos jogos, pois eram games com capacidade muito superior. Os jogos eram bem maiores e muitas vezes os programadores precisavam colocar nesses mesmos jogos, alguma coisa que permitisse ao jogador continuar seu game de onde ele parou. A alternativa mais comum era o Password, que consistia em digitar um código que o próprio game te dava ao final da partida. Mas era muito comum encontrar um jogo que salvava o progresso no próprio cartucho. Entretanto, isso não significa que os jogos dessa época eram menos difíceis! A dificuldade permanecia sim, quanto mais longe você chegava no game, mais difícil ele ficava. Ah, e a grande maioria dos games de Super Nintendo e Mega Drive por exemplo, ambos consoles da quarta geração, não vinham com esses recursos o que te obrigava a terminar todo o jogo numa só partida! 

Jogos de 16 bits eram maiores e alguns contavam com opções save e password
Mas vou contar uma coisa pra vocês. Essa dificuldade que os games antigos apresentavam, fazia parte do charme dessas gerações. Sem dúvida, é possível pra qualquer um se divertir com esses jogos, mas para aproveitar 100% desses games, era necessário dedicação, paciência, prática, habilidade e a sensação de vitória ao completar todos os desafios, era muito gratificante. 
É isso aí turma, espero ter explicado um pouquinho do por quê os games antigos são difíceis, o assunto é bem mais extenso do que vocês imaginam. Caso vocês se interessem mais, podemos fazer outros posts continuando essa discussão. Mas e aí, o que acharam do assunto? Você concorda com o que foi descrito? Tem alguma outra explicação para o assunto? Quais os games mais difíceis que você jogou? Deixa aí nos comentários! Vamos participar, sua opinião é muito importante e incentiva a continuar nosso trabalho! Grande abraço pra todos vocês e até a próxima fase!




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